Fabiano Galdino
O saldo das plenárias realizadas
pelo PSOL paraibano, dentro da programação do seu IV Congresso Estadual, foi a
definição de 24 delegados para deliberar sobre delegados ao IV Congresso
Nacional do partido e o perfil da nova direção estadual.
De agosto até novembro, o PSOL
paraibano debateu sua organização, suas lideranças e seus passos futuros. Da primeira
plenária em Cajazeiras até a última em João Pessoa, visões acerca do caminhar
do PSOL foram debatidas.
No congresso, além desses 24 delegados,
militantes estiveram presentes e registraram o bom nível dos debates que
trataram das Teses Nacionais e da questão partidária, com destaque na direção partidária.
As exposições das Teses Nacionais constituíram um momento rico para o PSOL
paraibano. Cinco teses tiveram suas defesas feitas no evento.
O debate em torno da nova direção
estadual foi outro momento importante do partido. Três chapas se inscreveram,
mas apenas duas obtiveram votos. O resultado obtido pelas duas chapas foi
significativo: 12 a 12. Cada um desses 24 delegados cumpriu seu papel na configuração
desse empate histórico no processo eletivo do PSOL estadual.
As interpretações desse resultado
devem ser cautelosas. Algumas perguntas podem servir de orientação para a
reflexão de filiados e dirigentes. O que tem dito alguns dirigentes sobre esse
resultado? Qual a avaliação desse empate na perspectiva de cada chapa envolvida
nele? Afinal, qual a tese acerca do desempenho da direção partidária prevaleceu
durante os debates nas plenárias municipais ou intermunicipais do PSOL
paraibano?
Talvez, uma das perguntas mais
frequente nesse processo interno de debates tenha sido a seguinte: Os erros e
acertos da direção estadual resultam ou não resultam de um comportamento
coletivo, assumido, na prática cotidiana de suas ações e decisões?
Algumas contribuições já foram dadas
sobre essas questões. Tarcio, Nelson, Marcos, Zoraida, Gildemar, Aldo, Josean,
entre outros, manifestaram, em meio ao resultado determinado pelos delegados,
opiniões sobre o pós- IV Congresso estadual do PSOL.
Passo agora a fazer rápidas
considerações, somando-se a outras, em outro momento. Considero que as forças
políticas se fizeram expressar nesse resultado. Os que não reivindicam integrar
uma corrente política ou outra também desenham sua força na constituição desse
resultado.
A principal evidência desse empate é
o equilíbrio dos protagonistas da vida partidária. Uma necessidade imperiosa de
unidade política prática na ação foi exigência do conjunto dos 24 delegados,
mesmo que eles juntos não tivessem planejado tal resultado.
Como constituir o novo Diretório
Estadual? Quem será o novo presidente do órgão estadual do PSOL?
Algumas propostas para estabelecer o
desempate têm sido apresentadas.
1. Realização
de uma plenária estadual.
Em minha opinião, essa proposta não
se viabiliza porque não busca o desempate e sim o recomeço do processo de
decisão para a definição do novo corpo dirigente estadual.
A aprovação de uma plenária com o
poder de decidir sobre os constituintes do Diretório estadual e entre eles o
presidente significaria, portanto, repetir os mesmos caminhos percorridos pelas
plenárias municipais e intermunicipais já realizadas.
Importante observar que, pelas
regras definidoras da Comissão de Organização Nacional do PSOL, o público apto
a votar nessas plenárias seria o mesmo que votou nas plenárias que elegeu os 24
delegados. Assim, um novo evento similar ao IV Congresso correria o sério risco
de produzir o mesmo resultado, mesmo que o novo número de delegados não seja
exatamente 24.
2. A
tese do sorteio
O sorteio tem sido citado como uma
possibilidade para por fim ao empate no Diretório estadual. A medida pode ser
praticada, mas traz sérios conflitos à legitimidade do beneficiário da sorte.
Por quê? O sorteio não resolve o problema político, apenas estabelece quem será
o presidente.
3.
A tese do mais idoso
A tese do mais idoso tem sua razão
de ser. Aplicada na legislação eleitoral, constitui uma opção razoável porque
parte do pressuposto de que o mais idoso teria mais maturidade. Justo ou não, esse critério também é aplicado
em concursos públicos, normalmente como último critério de desempate.
4. A
tese de dividir o mandato
A tese de alternar a presidência foi
levantada por mim, em caráter pessoal e para a consideração coletiva. Recebeu
críticas, mas tem uma razoabilidade. Afinal, completa pela metade o direito de
cada uma das chapas presidir por igual período (um ano) o Diretório. Continuo
achando viável, se não se optar pelo critério da idade.
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